terça-feira, 9 de abril de 2013

SONS FILHOS DA MÃE ÁFRICA: Eduardo Bid no projeto Música e Educação Griô


No mês de março de 2013, o projeto Música e  Educação Griô  recebeu as narrativas, os saberes e as histórias do multi-instrumentista, compositor, Dj,  produtor musical  e arranjador Eduardo Bid (SP).




Bid formou em 1988 a Big Band Funk como Le Gsuta, produziu o  álbum "Afrociberdelia"do Chico Science e Nação Zumbi, além de várias produções de trilhas cinematográficas, festas, e diversos artistas e grupos da música brasileira. Recebeu o convite da equipe do projeto, pelo seu recente trabalho "BAMBAS DOIS", no qual focamos nossa roda de conversa.





Junto com Bid, tivemos a presença do músico, instrumentista e luthier (construtor de instrumentos musicais) Joás Santos, pernambucano nato, que consideramos um pesquisador da  musicalidade  afro-brasileira presente nos ritmos da cultura popular do nordeste do Brasil. Joás Santos participou de várias bandas de reggae music, afro-reggae, afoxés, maracatus e grupos de coco tradicionais pernambucanos, e atualmente é o percussionista do  trabalho de André Sampaio e os Afro Mandingas,  marcado pela musicalidade africana. Joás Santos vem atuando sistematicamente como professor e agente de disseminador da cultura musical pernambucana junto ao grupo Semente de Jurema/Educação Griô.




Nas palavras de Bid: "BAMBAS DOIS é um  trabalho que une a cultura brasileira à jamaicana de maneira sem precedentes. Num mesmo álbum estão compondo, criando e tocando juntos alguns dos  maiores artistas da Jamaica e representantes de várias gerações e vertentes da música nacional, principalmente as do norte e nordeste".




BAMBAS DOIS mais do que ser  "um disco-livro de capa dura com ensaios fotográficos, textos exclusivos de Otávio Rodrigues e um glossário dos ritmos e instrumentos de tradição brasileira com ilustrações inspiradas em xilogravura", é também um legado histórico que une elos que se  foram separados, é uma potência de aprendizados não só de uma educação musical mas da  música como forma de educação, de mostrar conexões,  movimentos de repeito à diversidade das etnias que tem em África sua matriz.





Por sabermos da potência de modos de aprendizagem que são disparadas através do trabalho BAMBAS DOIS,  é fundamental levar  a todos, mas principalmente aos  estudantes brasileiros  e jamaicanos, de todas as idades, cores e classes sociais, as histórias cantadas e tocadas que emergem desse livro-cd; porque BAMBAS DOIS  nos ensina o respeito pelo encontro com a diversidade e  essa é uma lição preciosa para a nossa sociedade atual, na escola ou fora dela. 





No encontro realizado no Jardim Secreto da ECO-UFRJ, Bid nos presenteia com a afirmação:


 "SÃO DOIS IRMÃOS COM A MESMA MÃE: ÁFRICA"









A mediação da conversa junto com Joás Santos nos propiciou enormes aprendizados e vivências sonoras e pedagógicas, pois  foi de enorme contribuição com narrativas sobre a história da música em África e também sobre a percussão de instrumentos tradicionais da cultura afro-brasileira.









Dessa vivência está sendo gestada mais uma vídeo-aula do projeto Música e Educação Griô:
 " MANDINGAS & BAMBAS DOIS: SONS FILHOS DA MÃE ÁFRICA", que será lançado em breve.










As vídeo-aulas servirão não só como ferramenta pedagógica para  o  Ensino da Cultura Afro-Brasileira e História da África nas escolas, como também como modo de disseminação de saberes e de formação de educadores e músicos. O estudo da história escrita e falada da música nos submerge na pedagogia dos "griots" africanos. 








Para saber mais, acesse: 
BAMBAS DOIS e Bid: www.soulcity.com.br 
Joás Santos e André Sampaio e os Afro-Mandingas: http://facebook.com/Joas.Santos 

Mais informações: 
adriana.edugrio@gmail.com














segunda-feira, 25 de março de 2013

MÚSICA E EDUCAÇÃO GRIÔ: encerramento do primeiro ciclo de vivências

Nesta quinta-feira, dia 28 de março, a griô aprendiz Adriana de Holanda faz a mediação do último encontro dessa etapa do projeto que foi apoiado pelo Pontão de Cultura Digital da ECO-UFRJ.

Este quinto encontro traz a força bélica-poética-estética da  história de resistência cultural através do REP com Gaspar Záfrica- Brasil (São Paulo), as experiências pedagógicas do professor Abrahão Santos, que foi o pioneiro em curso de Psicologia a lançou/destacou a importância das mitologias  africanas dos orixás como processo fundamental para a formação dos estudantes e também  a equipe de coordenadores do NEED(Núcleo de Educação Étnico-Racial  da Faculdade de Macaé-RJ) que já realizou diversos cursos, destinados a educadores de escolas públicas,  voltados para a implementação da lei 10.639/03  sobre a obrigatoriedade do ensino de história da cultura afro-brasileira

Um dos objetivos dos encontros e do projeto é favorecer um espaço de mediação dialógica entre ações/intervenções de música e educação que atuem na valorização da diversidade étnica e cultural de matriz afro-indígena.



O encerramento dos encontros acontece dia 28/03 às 14h, na Praia do Instituto de Arte  e Comunicação Social (IACS) da UFF, em Niterói - RJ.

O evento é gratuito e aberto a toda a comunidade.
Mais informações sobre o projeto na página MÚSICA E EDUCAÇÃO GRIÔ  deste blog ou pelo e-mail: adriana.edugrio@gmail.com





Mitologia Africana e REP - Quando a música venceu a morte!

                             
Esse é um texto de despedida e de boas vindas...







Gaspar Záfrica Brasil (SP)









Despedida de um bloco de encontros que se forjaram nos jardins secretos da Escola de Comunicação e Cultura da UFRJ. E de boas vindas, a todas as vozes, saberes, fazeres que se conectaram e que nos impeliram a continuar a caminhada e a fazer circular informação junto com reflexão e ação... Boas vindas aos novos encontros que virão, nas escolas, nas ruas, nas rádios universitárias, nas vídeo-aulas que estão sendo produzidas.

 Boas vindas aos encontros das mensagens que chegarão nas mentes dos estudantes, educadores e músicos.



No último encontro, realizado  na CASA GRIÔ - Niterói /RJ, se forjaram as estratégias para a construção do Museu-Escola Griô e de sugestões coletivas para a sistematização de ações de música e de educação, como um caminho tecido tanto por educadores e estudantes como  por músicos.

A  partir da contação do mito Yorubá "Os Ibejis Enganam a Morte", inciamos  nossa vivência, ou como diria Gaspar um "laboratório de experimentações" em música  e educação, através de leituras, escritas,  memórias, silêncios, dizeres e formas de resistência que se desenharam coletivamente na força encantadora da música.

Mcs, educadores, professores e estudantes ouvindo e contando histórias na Biblioteca Comunitária da Casa Griô.




Os sentidos despertados pelo mito contado pelo Prof. Dr. Abrahão Santos (do Laboratório de Pesquisa em Subjetividade e Cultura Afro-Brasileira) nos falou da importância da música vencendo a morte! Da sabedoria africana fundada nos mitos das suas comunidades tradicionais, tecemos redes de pensamentos na busca por trilhar ações que nos convocam a  uma luta lúdica, cantante, dançante,  contra todas as forças mortificadoras através da força criadora de vida que vem da arte da música.








Na poesia e na rima do nosso mestre, o Repper Gaspar, ouvimos a voz de um saber ancestral que nos liga em África, no percusso do movimento Hip Hop no Brasil e no mundo. Gaspar é autor de diversos livros e de ações de intervenções sociais na busca da valorização da cultura de matriz africana e do respeito à diversidade das culturas de todos os povos.










Prof. Abrahão foi um dos responsáveis pela implementação da primeira disciplina do curso de graduação em Psicologia (UFF) que ousou introduzir  os saberes das mitologias africanas como fonte de conhecimento para formação dos estudantes universitários.







O fechamento desse ciclo de encontros, mais que especial, ainda é indescritível, creio que para  todos nós, que nos dispusemos a pensar nossos fazeres coletivamente. Mas, certamente, a lição foi luminosa: a força da música pode vencer a morte, o extermínio étnico-cultural, as nossas distâncias, nossos medos, nossas covardias, nossas armadilhas.... A força lúdica da música é bélica...

Gratidão Gaspar! Ilícito, poético, ético, generoso... Te  aguardamos para colocar o plano em ação: ocupação musical das escolas.
Gratidão querido Abrahão, estamos juntos nessa construção ética do fazer pesquisa e educação como instrumento de luta e intervenção social... Gratidão pela história dos "Ibejis" e  pelo apoio a termos na Casa Griô um espaço de resistência-insistência!

Das vivências desse encontro está sendo finalizada uma vídeo-aula, com o título: "Mitologia Africana e REP - Quando a música venceu a morte".

O Lançamento das vídeos-aulas Música e Educação (ciclo I) está previsto para julho de 2013.


O primeiro ciclo de Oficinas do projeto MÚSICA E EDUCAÇÃO GRIÔ teve o apoio do Pontão de Cultura Digital da Escola de Comunicação da UFRJ.

Realização: Rede Independente Educação Griô

Coordenação/mediação: Adriana de Holanda
Concepção e elaboração do projeto: Priscila Faria e Adriana de Holanda

sexta-feira, 1 de março de 2013

Expedição Cultural Griô Aprendiz

Como parte das atividades do projeto GRIO APRENDIZ  da Rede Educação Griô, serão realizadas no próximo dia 03 de março de 2013 (domingo) , às 15h - Roda de Leitura na Biblioteca Comunitária Griô e  andanças e danças no Show de Lia de Itamarcá. O show começa às 19:30h.





show Lia de Itamaracá - Mestra Griô da Rede de Tradição Oral do MinC


As vivências e rodas de leitura são gratuitas e abertas a toda a comunidade. É só seguir a trilha griô e coletivizar-se, ancestralizar-se...
o show de Lia  tem meia entrada a R$ 10,00 no Centro cultural da Caixa - RJ

  

Mais informações:
adriana.edugrio@gmail.com

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

OFICINAS DO PROJETO MÚSICA E EDUCAÇÃO GRIÔ


"Os griôs são a biblioteca viva onde corre o sangue que circula na comunidade" (provérbio africano)


Em  dezembro de 2012, a Rede Indenpendente Educação Griô   incíou de forma sistemática ações educativas e culturais  pela valorização dos saberes de matriz africana e indígena.O projeto Música e Educação Griô se realiza através de uma metodologia de participação comunitária na busca  de construções estratégicas  de implementação da lei 10639/03 que tornou obrigatório o ensino da história da   África e da Cultura Afrobrasileira em todas as escolas públicas e privadas do país. Essa lei foi criada há 10 anos, mas até hoje ainda não está efetivada nas escolas!!!


Dj Sleep


Essa busca se afirma pela necessidade de  dar acesso ao povo brasileiro no conhecer a sua própria história; os saberes e os  sons que contam as narrativas esquecidas pela educação formal: os saberes das comunidades urbanas e rurais que  ainda hoje circulam  na rua, nos campos, nos cânticos de trabalho, nos fazeres mágicos-sagrados, poéticos e éticos dos povos que constituíram nossa diversidade cultural e nossa sociedade. 

 A pedagogia griô tem sido  um modo privilegiado de construção sistemático das vivências musicais e educacionais que estão sendo desenvolvidas  com um coletivo formado por estudantes, músicos, produtores musicias, educadores  e pesquisadores.



 
A terceira Roda de Conversa  do projeto  teve a presença do Mc Ralph de Taubaté (SP), do Dj Sleep (SP) e da Professora Doris (RJ) que compartilhou com os estudantes presentes  a experiência desenvolvida com o REP em sua escola, que culminou no projeto  A pedagogia griô,   idealizada e e sistematizada por Lilian Pacheco e Márcio Caires, tem sido a trilha nos caminhos da valorização da cultura  e dos saberes pretos e índios que correm  na  veias  onde circula o sangue que faz bater o coração do nosso povo.


Mc Ralph, Mc Joaquim e Adeline


Máximo respeito aos griots africanos, aos contadores de histórias, aos poetas, aos cantadores, aos andarilhos,aos músicos, aos mensageiros que  fazem o elo entre a ancestralidade e fazem  cicular saberes, modos de existir, potencias de olhares e a continuidade das histórias. Gratidão Mc Ralph e Dj Sleep pelo encontro e pela construção coletiva! 



Próximo encontro:  28/02/2013 às 14h. / Local: Escola de Comunicação e Cultura da UFRJ, URCA
Praia Vermelha, Rio de Janeiro.  

Inscrições gratuitas no local.

Mais informações: adriana.edugrio@gmail.com

Apoio: Pontão de Cultura Digital ECO-UFRJ/ MinC - Casa de Jurema do Rei Salomão
Realização: Rede Educação Griô / Coordenação: Adriana de Holanda e Priscila Faria



terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Lançamento do projeto FARMÁCIA COMUNITÁRIA GRIÔ






A Fármácia Comunitária Griô  é umas das primeiras ações da  REDE EDUCAÇÃO GRIÔ/SEMENTE DE JUREMA com foco na relação cultura e saúde, ressaltando o legado do saber africano e indígena  em  ações de educação em saúde. 

Veja mais na página do projeto! 

Mais informações: 
adriana.edugrio@gmail.com

   

domingo, 30 de dezembro de 2012

Diáspora Griô: Valorização e Disseminação dos Saberes e Princípios Africanos/Indígenas

 O projeto “Diáspora Griô” pretende formar um núcleo de valorização da diversi
dade  étnico 
cultural, com foco na sistematização das práticas educativas como forma de minimizar o 
preconceito e a discriminação étnico-racial, através da afirmação e disseminação das diversas 
sabedorias e formas de pensamentos dos diferentes povos de comunidades tradicionais. 
 
O movimento diaspórico trata de mapear a expansão do povo africano em vários continentes do 
mundo.  No Brasil,  a comunidade indígena, nos reserva esse legado de saber baseado no 
cuidado com  a natureza e com a terra como princípio fundamental da existência do ser humano. 

Assim, o projeto “Diáspora Griô” visa combater  o preconceito e a discriminação étnico-racial
com ações educativas, alertando  com informação e práticas de comunicação comunitária
os diversos setores da sociedade sobre os efeitos nocivos dessas praticas, que se constroem 
através da negação ao acesso ao conhecimento.  
 
Esse texto é uma primeira ação de comunicação e de circulação de informação sobre a 
necessidade de re-educação da população, uma re-educação que contempla necessariamente
a inclusão dos saberes dos “grios”, que são em suma,“bibliotecas vivas” (guardiões e 
transmissores dos saberes ancestrais) das comunidades tradicionais, como as africanas e as
indígenas. 
 
Com o povo africano e suas mitologias, que fundam uma cosmovisão, pode-se entender que 
OXUM é o princípio das  águas doces, força que traz fertilidade à terra, que faz nascer a vida: 
alimentos, plantas, seres vivos de várias espécies... Oxum não é só uma estátua, um “Deus 
que está no Céu”.  Ela é  fundamento da natureza, habita a força da água, seus mistérios e 
sua importância.  
 
Há um tempo só,  o princípio da água é ao mesmo tempo sagrado e profano, alimenta o corpo e
alma, é político e filosófico, é econômico e bélico, é saúde e morte, é sedução e luta. Nos 
mitos de OXUM  reside a beleza da vida, a riqueza da fertilidade. Muito distante da ideia de 
um deus que paira acima do nosso cotidiano, OXUM é um princípio de vida para as 
comunidades tradicionais africanas.  
 

Assim, quando sujamos o solo, a terra, e enchemos de lixo  produzido pelo nosso consumo de 
cidadãos televisionados e pelo capital que reina no cotidiano das nossas cidades, e sujamos as
beiras das cachoeiras e dos rios, estamos agredindo o princípio OXUM, estamos matando o 
princípio da fertilidade da vida. O Orixá não é um santo, tal como o santo das tradições cristãs.
Orixás são forças da natureza. 
 
Oxum vive na água doce, no rio, na cachoeira, no banho que você toma, na água que está no 
seu corpo, na água que te hidrata e te limpa, nos banhos sagrados que lavam a alma, na sua 
saliva, na sua lágrima. O princípio africano das águas está na sua vida a todo instante,
respeite a natureza, respeite a  sua vida e de seus descendentes. 
 
 
Nem Oxum nem os caboclos precisam de garrafas de plástico, sacos plásticos, fitas plásticas, 
garrafas de cerveja. Isso não faz parte da relação sagrada com a natureza, isso faz parte da 
visão capitalista, egoísta e destruidora do homem, da natureza e da vida.  Plástico (legado das
 empresas de petróleo) é material que agride o meio ambiente. 
 
 Sei que somos poucos, poluímos pouco diante das grandes empresas multinacionais, das 
corporações; mas com poucas pessoas se fazem grandes exemplos e com grandes multidões 
se fazem as sutis manipulações.  
 

 
 Essas imagens são de uma cachoeira que fica na serra de Nova Friburgo-RJ, cidade onde 
cresci, e todos os restos e lixos encontrados foram infelizmente deixados por  integrantes de 
religiões de matriz e africana no Brasil.  
 O Projeto “Diáspora Griô” pretende sensibilizar através da re-educação do povo de terreiro e 
da população em geral sobre os princípios filosóficos presentes na mitologia dos orixás 
africanos, para que possamos juntos  fazer com que o sagrado  esteja presente em  atitudes 
cotidianas, que seja alternativa aos valores do consumo  e do capital.  
 
Vamos respeitar o princípio filosófico das águas: o princípio da fertilidade e da riqueza da 
vida!E riqueza não é igual a dinheiro para o povo africano.   
 
 adriana@edugrio@gmail.com
 
Adriana de Holanda é Juremeira, Zeladora da Casa de Jurema do Rei Salomão, Psicóloga,
Iawo de Iansã no Ilê Axé Oxalá Talaby- Pernambuco (Candomblé Nagô), Mediadora da Rede 
Educação Griô (REINVASÃO AFRICANA E INDÍGENA) gestora de projetos em educação, 
saúde e cultura pela UFF/FIOCRUZ.